Meu avô Julio Gago Affonso Ellen Gabriela Affonso Blog Dia a Dia das Garotas

Meu avô, Júlio Gago Affonso, menino que trabalhou desde cedo, sonhou e conseguiu ser jogador do Corinthians na década de 50. Dono de comércios pelo Tucuruvi, conhecido e querido por todos.
Qualquer antigo morador ou trabalhador da região vai falar bem do Julinho, o quanto ele era bom para os outros e alguma história que se lembrem…
Uma pessoa humilde, sem maldade, que tentava viver uma vida alegre apesar dos pesares… Não conseguia expressar bem seus sentimentos com as filhas, netas, mas nos últimos momentos não deixou de dizer ”eu te amo”.
Meu avô sempre foi o homem da família, a única figura paterna que tive. Era grande, alto e teimoso. Odiava o ”Mc Donis” mas entrou no drive-thru por mim, comprou torta de morango 3 dias seguidos para me fazer feliz. Tinha suas brincadeiras de sempre, ”mato ou morro”, ”que cheiro de papel rasgado”, ”ih, sabe a música inteira?”, ”joãoponês e japoneusa”, ”é pavê ou pacomê?”…
Não sabemos como são escolhidos os membros de nossas famílias e nem porque devemos conviver com eles, e como todos, teríamos sido mais felizes sem alguns membros, mas não sem meu avô. Muitas vezes autoritário, outras infelizmente imparcial e por ser humano, cometia erros.
Mas era meu avô, e quando ele se foi, tantas coisas se foram com ele, nunca mais ouvi aquela buzina chegando em casa, nunca mais me buscou na escola, nem perguntou se eu sabia a música inteira… E o que mais me dói nem são as coisas que eu já tinha, e sim o que eu viria a ter, porque ele não pôde me ver sendo a primeira da família a se formar na faculdade, não pôde estar comigo quando tirei habilitação treinando no carro dele, e não pôde estar comigo em tantos momentos em que desejei que ele estivesse.
O tempo é injusto, às vezes demora, às vezes voa… Eu tinha 15 anos quando ele nos deixou e poucos sabem o quão tristes foram os meses antes e depois, tantas consultas, esperanças e desesperanças, tantas injustiças de médicos e familiares, médicos que provocaram sua sentença, familiares mesquinhos e falsos.
Nos últimos dias eu vi no olhar daquele homem forte, grande e alto, o medo, a dor, a incerteza do futuro, do que aconteceria com ele e conosco. Ele chegou a perguntar para minha mãe se ela realmente acreditava na continuação disso tudo e nesse momento, sua resposta o confortou. Ela disse para ele preparar tudo lá em cima, porque uma por uma, iríamos atrás dele de novo, que a vida não é só isso.
E um pouco depois, quando sonhei que chegava em um mundo lindo e iluminado, ele me recebeu, feliz e saudável. Não estava magro, nem fraco, nem mancava. Disse que estava bem e que eu tinha que voltar para casa… Sinto que estive com ele neste dia, e desejo muito que tenha sido verdade. Sei que ele ainda existe, e espero que esteja assim, feliz.

”Nós mantemos este amor numa fotografia
Nós fizemos estas memórias para nós mesmos
Onde nossos olhos nunca se fecham
Nossos corações nunca estiveram partidos
E o tempo está congelado para sempre
Então você pode me guardar
No bolso do seu jeans rasgado
Me abraçando perto até nossos olhos se encontrarem
Você nunca estará sozinha
Me espere para voltar pra casa”.
(Ed Sheeran)

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  1. Isabela Carapinheiro 2017-02-25 12:50:09

    Fiquei muito emocionada com o amor por seu avô e pelo vídeo que você fez <3 Eu já não tenho meus vôzinhos e agora estou morando em outro continente, fora da minha vózinha... A saudade é grande! Um beijo! A Bela, não a Fera | Youtube Channel | Vem conversar comigo no Twitter!